quinta-feira, 21 de Fevereiro de 2008

Café

Há que tempo ando para actualizar o meu blog...!
Estou, neste momento, no Café Seixas (que é meu homónimo, devia ser Café Hermínio), a tomar o meu café. Quando tenho tempo de manhã, passo os olhos pelo jornal e tomo a bica. Hoje trouxe também um portátil para pôr o «Kanguru» a funcionar. É o computador das Novas Oportunidades do meu irmão... E já estou ligado... e a escrever esta mensagem. O computadorzito é catita, cheira a novo, e vai direitinho para alguém que lhe dará talvez muito pouco uzo, mas que servirá de iniciação a uma criança - a minha afilhda-, que certamente não será info-excluída. É a primeira vez que tenho internet móvel. Podia esta no Monte Santa Luzia ou na Senhora do Castelo em Mangualde (o dia está muito agradável).
Ouço a TVI, onde um Romeno está a cantar o fado «comme il faut». Canta ele: «Português sei que não sou, mas tenho amor ao fado». Entretanto os clientes habituais vão entrando e vão saindo. Eu nem sei a sorte que tenho...
Logo vou buscar o meu carrito, já a GPL. Depois darei notícias... O GPL é mais uma treta (com vantagens ineterssantes) e está aí. Não é tabu para mim. Tabu é a subserviência perante as políticas energéticas ou ambientais. Eu sei que este é mais um «produto» das petrolíferas...

Entretanto, enquanto os nossos políticos juram andar a cuidar de nós e do país, e nós, descondiados e de cinto apertado, curtimos o azedume de mais um longo engano, que ao menos o sol vá espreitando nos nossos dias cinzentos.

quarta-feira, 6 de Fevereiro de 2008

Lazarim


Terça-feira de Carnaval, Lazarim, Lamego: aqui não há samba nem vedetas. Os arifícios carnavalescos estão propositadamente ao nível de uma interioridade algo saudosista, e ao forasteiro apenas falta estar embrenhado q.b. no quotidiano da «terra», para poder disfrutar de tanto mal-dizer. As quadras do Testamento utrapassam a simples brejeirice, mas parece que ninguém fica sentido. Mais parece um lavar de roupa suja que traz paz social para mais um ano. Fica por saber, afinal, até que ponto esta gente leva tudo para a «brincadeira», no dizer e no... fazer!

Os caretos, serenos e atentos, lá estavam a dar um ar misterioso a este carnaval: não saltam nem dançam, transportam a arte de quem os esculpiu no amieiro e olham os forasteiros quase placidamente. Confesso que gostaria ver algum atrevimento, a condizer... Mas não, eles estão lá: surgem ao som do bombo, ouvem o Testamento, riem, batem o pé às sátiras e vão em procissão ao Enterro.


Há barraquinhas pelas ruas a oferecerem artesanato, compotas e bolos e uma tenda restaurante (onde gostaria de ter almoçado) e ao fim do dia, há os potes nas fogueiras pelas ruas para se petiscar, fazendo-se jus ao bem-receber beirão.

A Junta de Frequesia expõe na sua sede vários caretos e trajos carnavalescos, num espaço moderno. Não sei se é permanente, ou se será museu já, mas revela a importância dada a esta efemeridade e aos artesão locais.


Um carnaval cada vez mais famoso corre o risco de se massificar (agora já se diz «globalizar»). Faço votos para que estes carnavais, como o Lazarim, não evoluam. Nem façam muita publicidade... Tentem só trazer de volta as aldeias...


«Quero-vos pedir desculpa / Porque isto foi sempre assim;


Tradição como esta /Só existe em Lazarim.»

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